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O Sínodo da Amazônia e a questão extrativista

Sínodo sobre a Amazônia, uma iniciativa da Igreja Católica para discutir o futuro da região, acontecerá de 6 a 27 de outubro deste ano.  Um longo  percurso de consultas, resultou num Instrumento de Trabalho do Sínodo para a Amazônia , lançado no Vaticano, no dia 17 de junho. Nele, como indicado na conclusão do documento, “tem se escutado a voz da Amazôniaà luz da fé (Parte I) e tem se tentado responder ao clamor do povo e do território amazônico por uma ecologia integral (Parte II) e pelos novos caminhos para uma Igreja profética na Amazônia (III Parte)”. Esse instrumento de trabalho é fortemente marcado por reflexões e apelos urgentes para defender e promover uma ecologia integral que defenda a vida dos pobres e da mãe natureza.

No clamor do povo e do território amzônico por uma ecologia integral, a questão dos impactos da economia extrativista foram refletidos,

O tema da questão extrativista  está como um dos elementos fundamentais na reflexão e debates do Sinodo:

“Provavelmente, nunca os povos originários amazônicos estiveram tão ameaçados nos seus territórios como o estão agora” (Fr.PM). Os projetos extrativos e agropecuários que exploram inconsideradamente a terra estão destruindo este território (cf. LS, 4 e 146), que corre o risco de “se savanizar”.[18] A Amazônia está sendo disputada a partir de várias frentes. Uma responde aos grandes interesses econômicos, ávidos de petróleo, gás, madeira, ouro, monoculturas agroindustriais, etc. Outra é a de um conservacionismo ecológico que se preocupa com o bioma, porém ignora os povos amazônicos. Ambas causam feridas na terra e em seus povos: “Estamos sendo afetados pelos madeireiros, criadores de gado e outros terceiros. Ameaçados por agentes econômicos que implementam um modelo alheio em nossos territórios. As empresas madeireiras entram no território para explorar a floresta, nós cuidamos da floresta para nossos filhos, dispomos de carne, pesca, remédios vegetais, árvores frutíferas […] A construção de hidrelétricas e o projeto de hidrovias têm impacto sobre o rio e sobre os territórios […] Somos una região de territórios roubados”.

“Em conformidade com os inquéritos realizados, os clamores amazônicos refletem três grandes causas de dor: (a) a falta de reconhecimento, demarcação e titulação dos territórios dos indígenas, que fazem parte integral de suas vidas; (b) a invasão dos grandes projetos chamados de “desenvolvimento”, mas que na realidade destroem territórios e povos (por ex.: hidroelétricas, mineração – legal e ilegal – associada aos garimpeiros ilegais [mineiros informais que extraem ouro], hidrovias – que ameaçam os principais afluentes do Rio Amazonas – exploração de hidrocarbonetos, atividades pecuárias, desmatamento, monocultura, agroindústria e grilagem [apropriação de terras valendo-se de documentação falsa] de terra). Muitos destes projetos destrutivos, em nome do progresso são apoiados pelos governos locais, nacionais e estrangeiros; e (c) a contaminação de seus rios, de seu ar, de seus solos, de suas florestas e a deterioração de sua qualidade de vida, culturas e espiritualidades. Por isso, “hoje, não podemos deixar de reconhecer que uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres” (LS, 49). É a isto que o Papa Francisco chama ecologia integral.”

Nessa linha, o instrumento de trabalho, aponta muito claramente:

“Em conformidade com aquilo que sobressai das múltiplas consultas realizadas em muitas das regiões amazônicas, as comunidades consideram que a vida na Amazônia está ameaçada sobretudo: (a) pela criminalização e assassinato de líderes e defensores do território; (b) pela apropriação e privatização de bens da natureza, como a própria água; (c) por concessões madeireiras legais e pela entrada de madeireiras ilegais; (d) pela caça e pesca predatórias, principalmente nos rios; (e) por megaprojetos: hidrelétricas, concessões florestais, desmatamento para produzir monoculturas, estradas e ferrovias, projetos mineiros e petroleiros; (f) pela contaminação ocasionada por todas as indústrias extrativistas que causam problemas e enfermidades, principalmente para as crianças e os jovens; (g) pelo narcotráfico; (h) pelos consequentes problemas sociais associados a tais ameaças, como o alcoolismo, a violência contra a mulher, o trabalho sexual, o tráfico de pessoas, a perda de sua cultura originária e de sua identidade (idioma, práticas espirituais e costumes) e todas as condições de pobreza às quais estão condenados os povos da Amazônia (cf. Fr.PM)”

Diante dessa dolorosa realidade, o desafio é grande, diz o documento e faz algumas sugestões: “como recuperar o território amazônico, resgatá-lo da degradação neocolonialista e devolver-lhe seu bem-estar saudável e autêntico? Desde há milhares de anos devemos às comunidades aborígenes o cuidado e o cultivo da Amazônia. Em sua sabedoria ancestral cultivaram a convicção de que a criação inteira está interligada, o que merece nosso respeito e responsabilidade. A cultura da Amazônia, que integra os seres humanos com a natureza, se constitui como referente para construir um novo paradigma da ecologia integral. A Igreja deveria assumir em sua missão o cuidado da Casa Comum:

  1. Propor linhas institucionais de ação que promovam o respeito pelo meio ambiente.
  2. Projetar programas de treinamento formais e informais sobre os cuidados da Casa Comum para seus agentes pastorais e seus fiéis, abertos a toda a comunidade, em “um esforço para aumentar a conscientização da população” (LS 214), com base no cap. V e VI da Encíclica Laudato sim.
  3. Denunciando a violação dos direitos humanos e a destruição extrativa.”

Obviamente, uma das grandes questões que o Sínodo dos Bispos da região Amazônica terá que responder será: Que tipo de igreja os povos da Amazônia precisam hoje? Estas são algumas das faixas sugeridas no Instrumentum Laboris:

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