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Re-imaginando a Solidariedade e a Esperança

Projeto: Re-imaginando a Solidariedade e a Esperança

Re-imaginando a Solidariedade e a Esperança é o título do nosso projeto 2018 – 2020. O ponto de partida é a necessidade de encontrar estratégias e metodologias de diálogo que transcendam as fronteiras geopolíticas, incluindo diferentes histórias, que permitam reflexões mais profundas e aprendizado por uma diversidade de atores, ideias, ideologias e abordagens. O intuito é construir ligações na busca de alternativas para a crise multidimensional (ecológica, climática, financeira, política e social) que está engolindo as nossas sociedades e a humanidade como um todo.

Nossa proposta procura aproveitar a rica e diversificada experiência que o Diálogo do Povo adquiriu nos últimos anos. Buscar e unir diferentes vertentes de atores sociais e partes interessadas em um espaço criativo onde experiências do setor religioso, pequenos agricultores, camponeses, feministas, movimentos de povos indígenas, atingidos pela mineração e trabalhadores podem interagir com pesquisa, análise e diálogo e sistematizar as lições e “insights” para seus próprios movimentos e práxis. Para isso o Diálogo dos Povos tem se constituído como um espaço em que setores da sociedade civil africana e latino-americana podem aprender e compartilhar das lutas, das experiências, dos debates e da busca de alternativas.

Conseguimos reunir mais de 50 movimentos e organizações populares no diálogo e no aprendizado coletivo. Juntos construímos uma análise coletiva da crise atual (financeira, ecológica, alimentar, social), desenvolvendo a ideia de “crise multidimensional”.

Nos últimos três a cinco anos contribuímos para uma crescente crítica e debate sobre o modelo extrativista de desenvolvimento. Participamos de muitas conquistas, como a da formação da Assembleia Rural das Mulheres (RWA – Rural Women Assembly) na África Austral; das ações comuns na Assembleia dos Povos Indígenas; do programa de troca de sementes entre o Brasil e a África Austral; e de vários diálogos que culminaram em uma Conferência sobre a Crise da Civilização, onde aprofundamos as interfaces entre a crise ecológica e a mercantilização da natureza. Foi também o primeiro momento de engajamento da sociedade civil africana com a análise dos movimentos indígenas da América Latina.

Nos últimos anos, a abertura de espaços e a criação de vínculos continuaram à medida que criamos parcerias estreitas com movimentos ativamente envolvidos no desafio da mineração na América Latina, na África Austral e no mundo. Esses processos permitiram que a DP desenvolvesse continuamente nossa análise e expandisse as plataformas de engajamento.

Contexto

Na África Austral a recessão na África do Sul teve um efeito rotativo na região. A África do Sul experimentou um crescimento negativo. No Zimbabué, emitiram recentemente “títulos obrigacionistas” contra os quais o FMI emitiu um aviso e Moçambique não cumpriu os pagamentos da dívida, para mencionar alguns. A maioria dos países da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral ) enfrenta uma crescente desigualdade, desemprego e dificuldades econômicas. A região é um excelente exemplo de uma região onde existe uma abundância de um ou mais produtos primários, mas que parecem estar condenados ao subdesenvolvimento. A situação se torna ainda mais complicada para aquelas economias que dependem do petróleo e dos minerais para sua renda.

Nossa experiência de debate intercultural, entre movimentos sociais distintos, envolvendo regiões muito diversas, contribuiu para consolidamos um espaço importante de articulação de movimentos de maior influência política. Desenvolvemos ligações importantes com vários movimentos populares enraizados na África do Sul, como o MACUA (Mining Affected Communities united in Action) que reúne comunidades que resistem ao impacto da mineração no meio ambiente e a megaprojetos. Os outros parceiros importantes do Diálogo dos Povos são a WoMin – Women and Mining e a Assembléia de Mulheres Rurais (RWA), que são redes regionais de organizações, de movimentos de mulheres que desafiam ativamente as condições sociais e ambientais na região. Facilitamos e renovamos iniciativas como a Cúpula Paralela SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral ).

Como uma experiência de debate intercultural, entre movimentos sociais distintos – mulheres, povos indígenas, camponeses, atingidos pela mineração, trabalhadores, etc. – envolvendo regiões muito diversas, o Diálogo do Povos consolidou-se como espaço importante de articulação de movimentos de maior influência política. Nos últimos cinco anos, na África Austral, em particular, facilitou e inovou iniciativas como a Assembleia das Mulheres Rurais e a Cúpula Paralela na SADC.

Na América Latina, em particular, a crise dos chamados governos “progressistas” exige dos movimentos sociais um período de reflexão e redefinição de suas estratégias de ação. Um processo de longo prazo está aberto e exige de todos nós a necessidade de rearticular alianças e, em alguns casos, a reconstrução das bases dos movimentos. Por outro lado, os níveis de violência e violação de direitos, incluindo aqueles conquistados em muitos anos de esforços, levam a uma multiplicidade de lutas locais, territoriais e localizadas.

Por outro lado, nos últimos anos, as reações das elites nacionais aos avanços na agenda de direitos promovida por esses governos, embora extremamente tímidas, foram significativas.

No Brasil, em 2016, assistimos à consumação de um “golpe parlamentar”, com apoio da mídia, liderado pelo Judiciário. O resultado foi a criminalização da política, a deposição do presidente eleito, o desmantelamento dos direitos econômicos, sociais e culturais conquistados por anos de lutas populares e a entrega dos bens comuns ao capital internacional.

Nas cidades, a perda de direitos, o desemprego e o fim dos programas sociais para atender às demandas por moradia, restauraram com força os temas do direito à cidade na agenda social. A questão urbana, que sempre esteve presente entre as preocupações do Diálogo dos Povos, agora ganha relevância inescapável. O vínculo rural-urbano está de volta em um quadro diferente, já que os projetos extrativistas forçam o deslocamento de parte da população rural, que tem que migrar, sobrecarregando as demandas pelo direito à cidade. Nesse contexto, ampliamos nossos laços com o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), que vem se consolidando como o principal movimento urbano no Brasil. Na fase de abertura para a construção de alianças internacionais, o MTST encontra no Diálogo dos Povos um parceiro. Esta é uma agenda nova e extremamente importante, cujas fundações estão sendo construídas e devem ser desenvolvidas nos próximos anos.

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